{"id":8847,"date":"2026-07-09T14:21:39","date_gmt":"2026-07-09T17:21:39","guid":{"rendered":"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/?p=8847"},"modified":"2026-07-09T14:21:39","modified_gmt":"2026-07-09T17:21:39","slug":"a-grande-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/en\/a-grande-familia\/","title":{"rendered":"The Big Family"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos meus primeiros dias no Museu do Ipiranga, as pessoas vinham se apresentar e eu, curiosa, logo perguntava em qual setor elas trabalhavam e h\u00e1 quanto tempo estavam na institui\u00e7\u00e3o. As respostas eram dez, quinze, vinte anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Parecia absurdo. Aos 19, n\u00e3o entendia como algu\u00e9m podia permanecer tanto tempo em um mesmo lugar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje estou h\u00e1 mais de trinta e cinco anos exercendo a mesma fun\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fiz faculdade sendo funcion\u00e1ria do Museu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tive tr\u00eas filhos sendo funcion\u00e1ria do Museu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Passei por dois casamentos sendo funcion\u00e1ria do Museu.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sou ipiranguista, nasci e cresci nesse bairro. Morava em uma rua coladinha ao Museu do Ipiranga e era no Parque da Independ\u00eancia que vinha passar o dia com meu irm\u00e3o. Entre os jardins de estilo franc\u00eas, com seus canteiros geom\u00e9tricos, a gente brincava de esconde-esconde.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o tinha a menor ideia de que o pr\u00e9dio-monumento, constru\u00eddo no s\u00e9culo 19 em comemora\u00e7\u00e3o \u00e0 Proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia, abrigava uma cole\u00e7\u00e3o. Olhava para aquela constru\u00e7\u00e3o de estilo neocl\u00e1ssico e via apenas um palacete.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando entrei nele pela primeira vez, e pude contemplar a carruagem e a cadeira de arruar que estavam expostas, continuei achando que o espa\u00e7o tinha sido a morada de um imperador.\u00a0 Na minha ingenuidade de menina, era a casa onde eu sonhava um dia viver com<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">os meus pais e familiares.<\/span><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O curioso \u00e9 que as pessoas que trabalhavam comigo se tornaram essa grande fam\u00edlia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Soube do concurso por causa da Dona Mercedes, que era minha vizinha e respons\u00e1vel pela loja do Museu; a filha dela era servidora da biblioteca. De tanta proximidade, tinha as duas como tia e prima. E, no dia a dia, foi como se eu criasse rela\u00e7\u00f5es de parentesco com todos que me rodeavam ali.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na \u00e9poca, a maioria dos setores dividia o mesmo ambiente e me lembro muito desse sentimento de irmandade.<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">No hor\u00e1rio de almo\u00e7o, ningu\u00e9m voltava para casa, e a copa se tornava praticamente um sal\u00e3o de jogos: baralho, dama, xadrez e at\u00e9 pingue-pongue. E n\u00e3o pensem que os m\u00f3veis eram comprados ou fornecidos pela institui\u00e7\u00e3o. Era a equipe de marcenaria que constru\u00eda tudo, das mesas de apoio para os tabuleiros \u00e0s de pingue-pongue.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por muitos anos, fizemos festas juninas e os funcion\u00e1rios se vestiam a car\u00e1ter. Em uma delas, a escadaria do Museu chegou a ser palco de<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">casamento e o diretor, que na \u00e9poca era o Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Witter, apareceu com uma espingarda de brinquedo para fazer as vezes de pai ciumento. Organiz\u00e1vamos gincanas em torno dos estados brasileiros, com tarefas que envolviam performances e dan\u00e7as t\u00edpicas como o maracatu. Algu\u00e9m estipulava as regras, a gente se dividia em equipes e os docentes se transformavam em jurados. Tinha fantasia, premia\u00e7\u00e3o, e tudo o que se pode imaginar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim que comecei, em 1990, o setor do qual eu fazia parte era o de publica\u00e7\u00f5es e a gente lan\u00e7ava, todos os anos, o Anais do Museu Paulista e a Revista do Museu Paulista. Lembro que sa\u00edam artigos importantes em torno do acervo e das pr\u00e1ticas museol\u00f3gicas, com estudos sobre as fotografias do Milit\u00e3o de Azevedo e sobre as formas como as institui\u00e7\u00f5es podem definir e refor\u00e7ar identidades. Minha fun\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, era mais pr\u00e1tica: a de enviar, via correio, uma infinidade de exemplares que eram distribu\u00eddos para o mundo inteiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o tempo, obviamente, essa demanda se tornou obsoleta. As edi\u00e7\u00f5es passaram a ser digitais e, nesse per\u00edodo, a professora Miyoko Makino resolveu reorganizar as atribui\u00e7\u00f5es de cada um de n\u00f3s. O setor ganhou o nome de Divis\u00e3o de Apoio \u00e0 Pesquisa, Ensino, Cultura e Extens\u00e3o, e ele abrangia, basicamente, tudo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Era aux\u00edlio a docentes, eram cursos de difus\u00e3o, cursos de atualiza\u00e7\u00e3o, est\u00e1gios, eventos\u2026 E o meu envolvimento foi tanto que nunca sa\u00ed dessa \u00e1rea.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando olho para tr\u00e1s e vejo todos os anos, nem acredito.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Museu do Ipiranga, n\u00f3s temos funcion\u00e1rios muito antigos, com d\u00e9cadas de casa, mas acho que sou a \u00fanica que permaneceu, durante mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, na mesma atividade. O que gosto \u00e9 estar com as pessoas. Sou simp\u00e1tica, converso muito e nunca fico parada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A fam\u00edlia do meu pai \u00e9 de origem italiana, minha av\u00f3 veio de N\u00e1poles. Era muito festeira e esse tra\u00e7o da sua personalidade passou tanto para o filho, como para a neta. Minha casa vivia cheia, com m\u00fasica e dan\u00e7a, e talvez por isso o meu maior prazer dentro do Museu do Ipiranga seja ver os eventos que fa\u00e7o lotados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde sempre, o meu trabalho esteve pr\u00f3ximo de estudantes, os da inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica at\u00e9 os de p\u00f3s-doutoramento, e estou em contato direto com os docentes, acompanhando o desenvolvimento das pesquisas e pensando em formas de levar esse conhecimento \u00e0 sociedade. Assim que o historiador Frederico de Oliveira Toscano me contou que estava terminando o p\u00f3s-doutorado sobre a hist\u00f3ria das latas na alimenta\u00e7\u00e3o do Brasil, por exemplo, n\u00e3o pensei duas vezes antes de sugerir que ele ministrasse uma palestra para o programa \u201cEncontro com a Pesquisa\u201d, que come\u00e7amos em 2025.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acho que entrei no lugar certo, fiz tudo o que sempre quis e esse \u00e9 o motivo de nunca ter cogitado sair.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No in\u00edcio, a estrutura deixava a desejar. A<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">gente brigava por espa\u00e7o, os equipamentos estavam em falta, a equipe era pequena e muitas vezes sobrava mesa e outros equipamentos para carregar, mas eu n\u00e3o me importava de acumular fun\u00e7\u00f5es ou ficar trabalhando at\u00e9 altas horas. Se me pediam para acompanhar grava\u00e7\u00f5es durante a madrugada, por exemplo, n\u00e3o ligava caso as filmagens fossem at\u00e9 tr\u00eas ou quatro horas da manh\u00e3 e, no outro dia, ainda vinha trabalhar cedo. N\u00e3o sei explicar, n\u00e3o ganhava nada a mais por isso e amava.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tenho o Museu como parte da minha vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E foi esse sentimento que me ajudou a n\u00e3o parar no momento em que ele fechou para reforma, o que aconteceu em 2013. Na \u00e9poca, fomos trabalhar em uma casa na avenida Nazar\u00e9 e quando vimos a sala que hoje abriga a Funda\u00e7\u00e3o de Apoio ao Museu Paulista, a FAAMP, j\u00e1 enxergamos a possibilidade de transform\u00e1-la em audit\u00f3rio. Colocamos cadeiras, tel\u00e3o, projetor e fizemos um monte de atividades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dali, n\u00f3s conseguimos idealizar a s\u00e9rie \u201cEncontro com Acervos\u201d, com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores que desenvolviam estudos na pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o. Em um desses dias, o historiador Jos\u00e9 Rog\u00e9rio Beier explicou ao p\u00fablico o que era um astrol\u00e1bio, instrumento do s\u00e9culo 19 usado para fins t\u00e3o diversos como auxiliar na navega\u00e7\u00e3o ou calcular a altura das estrelas e dos pr\u00e9dios.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os convidados falavam por prazer, para um grupo pequeno de participantes, porque na sala n\u00e3o cabiam mais de quarenta pessoas. O que me consolou, no entanto, foi continuar vendo as palestras sendo aplaudidas e todos comentando depois sobre o que aprenderam. A minha principal satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 passar para os outros o que a gente sabe fazer t\u00e3o bem dentro da institui\u00e7\u00e3o e ouvir, ao fim de cada evento, a melhor de todas as perguntas:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQual \u00e9 a data do pr\u00f3ximo?\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi nessa casa na Nazar\u00e9, tamb\u00e9m, que n\u00f3s viabilizamos v\u00e1rios cursos virtuais que abordavam as novas exposi\u00e7\u00f5es enquanto elas ainda estavam sendo planejadas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-8850 size-full\" src=\"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/639608951_27080811631519071_8589394584805240097_n.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/639608951_27080811631519071_8589394584805240097_n.jpg 960w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/639608951_27080811631519071_8589394584805240097_n-300x225.jpg 300w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/639608951_27080811631519071_8589394584805240097_n-150x113.jpg 150w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/639608951_27080811631519071_8589394584805240097_n-768x576.jpg 768w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/639608951_27080811631519071_8589394584805240097_n-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-8849\" src=\"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-10.12.16-768x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"457\" height=\"610\" srcset=\"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-10.12.16-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-10.12.16-225x300.jpeg 225w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-10.12.16-113x150.jpeg 113w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-10.12.16-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-10.12.16-9x12.jpeg 9w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-10.12.16.jpeg 1200w\" sizes=\"(max-width: 457px) 100vw, 457px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-8848 size-full\" src=\"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/501257574_2976349952546265_3729642573368878927_n.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/501257574_2976349952546265_3729642573368878927_n.jpg 960w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/501257574_2976349952546265_3729642573368878927_n-300x225.jpg 300w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/501257574_2976349952546265_3729642573368878927_n-150x113.jpg 150w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/501257574_2976349952546265_3729642573368878927_n-768x576.jpg 768w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/501257574_2976349952546265_3729642573368878927_n-16x12.jpg 16w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto os professores discutiam temas como a hist\u00f3ria do pa\u00eds e as representa\u00e7\u00f5es visuais do passado brasileiro, eles apresentavam o que estaria \u00e0 mostra no Sal\u00e3o Nobre e as quest\u00f5es que envolviam a exposi\u00e7\u00e3o \u201cPassados Imaginados\u201d, para citar apenas dois casos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, ainda que eu tenha assistido \u00e0s aulas, fiquei completamente perdida com a dimens\u00e3o que o Museu do Ipiranga ganhou ap\u00f3s o projeto de amplia\u00e7\u00e3o. Antes, conhecia cada pedacinho daquele pr\u00e9dio e acho que saberia dizer at\u00e9 mesmo se alguma parede apresentava marcas. Por isso jamais vou esquecer do dia em que fui acompanhar uma grava\u00e7\u00e3o e n\u00e3o consegui localizar a sala onde a equipe gostaria de ir.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trinta e cinco anos de Museu e n\u00e3o saber onde est\u00e1 uma sala?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Que dif\u00edcil.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No fim, me ensinaram e cumpri minha tarefa, mas n\u00e3o sem frustra\u00e7\u00e3o. O que gostava mesmo era do Museu antigo, que foi onde vivi e cresci. Mas dele s\u00f3 restaram a escadaria, o hall principal e o Sal\u00e3o Nobre, os poucos lugares que se mantiveram iguais e nos quais ainda me situo. O resto \u00e9 novo e ainda estou me acostumando \u00e0 sua imensid\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mirante, que pode ser acessado por elevadores, inclusive, antigamente tinha sua entrada restrita e era eu quem muitas vezes levava os visitantes para conhec\u00ea-lo por meio de uma escada de madeira, com poucos degraus, em uma passagem na qual os mais altos precisavam se abaixar para concluir o percurso. Era tudo improvisado e agora, claro, toda vez que visito o espa\u00e7o, e contemplo aquela vista de 360<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">o<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, n\u00e3o consigo n\u00e3o repassar os meus anos \u00e0 frente do Museu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As pessoas que trabalham aqui hoje, e que entraram h\u00e1 pouco tempo, n\u00e3o tem ideia do que os mais antigos viveram. O que n\u00f3s passamos juntos, ningu\u00e9m nunca mais vai passar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de eu ter mais de 50 anos, com trinta e cinco de Museu nunca deixei de ser a Stellinha. E \u00e9 por isso que me emociono quando penso em tudo o que constru\u00edmos para chegar onde estamos agora, e me divirto lembrando de cada partida que tivemos, das duplas de baralho \u00e0s disputas no pingue-pongue. E, olha, joguei muito!<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos meus primeiros dias no Museu do Ipiranga, as pessoas vinham se apresentar e eu, curiosa, logo perguntava em qual setor elas trabalhavam e h\u00e1 quanto tempo estavam na institui\u00e7\u00e3o. As respostas eram dez, quinze, vinte anos. Parecia absurdo. Aos 19, n\u00e3o entendia como algu\u00e9m podia permanecer tanto tempo em um mesmo lugar. 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