{"id":8946,"date":"2026-07-14T17:57:58","date_gmt":"2026-07-14T20:57:58","guid":{"rendered":"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/?p=8946"},"modified":"2026-07-14T17:57:58","modified_gmt":"2026-07-14T20:57:58","slug":"paixao-antiga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/en\/paixao-antiga\/","title":{"rendered":"Paix\u00e3o antiga"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 ouviram aquela m\u00fasica do Fagner?<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Meu amor que ser\u00e1 de mim?<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Quixeramobim.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 de l\u00e1 que venho. Nasci e cresci nessa cidade do sert\u00e3o do Cear\u00e1 com esse nome que ningu\u00e9m esquece: Quixeramobim.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Meus pais trabalhavam na ro\u00e7a e meus irm\u00e3os mais velhos n\u00e3o tiveram oportunidade de estudar, mal assinam o pr\u00f3prio nome. Depois, nos mudamos para o centro urbano, e consegui cursar at\u00e9 o ensino m\u00e9dio \u2013 comecei tarde, com 12 anos, estava na primeira s\u00e9rie, em processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A cidade era t\u00e3o pacata que era dif\u00edcil at\u00e9 conseguir trabalho. Pegava servi\u00e7os de limpeza, de bab\u00e1, mas tudo de forma espor\u00e1dica. Aos 22, reprovei no colegial, e essa not\u00edcia veio junto com um sentimento muito forte de que n\u00e3o era justo a minha m\u00e3e se esfor\u00e7ar tanto sem eu ter como ajud\u00e1-la.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sempre fui muito madura e, nessa idade, j\u00e1 entendia que n\u00e3o podia me conformar com a mesma vida que meus pais tiveram. Eu era cheia de sonhos e tinha muita coragem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por isso aceitei o convite de uma fam\u00edlia de amigos para tentar a sorte em S\u00e3o Paulo. O \u00fanico problema era o dinheiro da passagem. Ent\u00e3o conversei com a minha irm\u00e3, vendemos a m\u00e1quina de costura que ela usava e assim eu vim, com uma m\u00e3o na frente e outra atr\u00e1s, em\u00a0 uma viagem de \u00f4nibus que durou tr\u00eas dias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Gra\u00e7as a essas pessoas que me acolheram, enquanto n\u00e3o achava emprego, fazia bicos finalizando pe\u00e7as da metal\u00fargica em que elas trabalhavam. Era um servi\u00e7o de solda, mas que podia ser feito fora da empresa para garantir alguma renda extra.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cheguei em fevereiro de 1986 e estipulei o prazo de quatro meses para arrumar um servi\u00e7o fixo. Com a carteira de trabalho nas m\u00e3os, batia de porta em porta onde quer que visse um an\u00fancio: ajudante geral, auxiliar de produ\u00e7\u00e3o, o que fosse.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 que um conhecido me disse que havia vaga no Museu do Ipiranga.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lembro que anotei o endere\u00e7o em um peda\u00e7o de papel e sa\u00ed acompanhada de uma das filhas do casal onde estava hospedada. Andava pelo centro de S\u00e3o Paulo, diante de tantos arranhas-c\u00e9us, e ainda me perguntava:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSer\u00e1 que me acostumo a essa cidade?\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Era totalmente inexperiente, uma \u201cbarriga-verde\u201d, como chamam os novatos l\u00e1 no Cear\u00e1.\u00a0 Mas minha determina\u00e7\u00e3o era tanta que a cidade tamb\u00e9m me abra\u00e7ou e hoje \u00e9 como se tivesse nascido e crescido na capital.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entrei como a ca\u00e7ulinha do Museu do Ipiranga, a mais nova entre os funcion\u00e1rios, e nos tr\u00eas primeiros meses, ficava apavorada com medo de n\u00e3o passar pelo per\u00edodo de experi\u00eancia. Tinha muito receio de n\u00e3o agradar e ficar desempregada novamente<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 os mais antigos me acalmavam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Naquela \u00e9poca, a gente entrava sem nenhuma ideia do que era um museu, e ia descobrindo na rotina do dia a dia. Toda vez que passava algum professor ou educador, por exemplo, me aproximava discretamente, com os ouvidos bem abertos, s\u00f3 para ir aprendendo sobre o que eles diziam.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O entrosamento com os colegas era dos melhores. A gente n\u00e3o passava uma data em branco e qualquer uma delas era motivo para comemorar. Nos reun\u00edamos at\u00e9 para jogar futebol \u2013 eu era goleira \u2013 e, nas festas juninas, n\u00e3o tinha quem n\u00e3o viesse a car\u00e1ter e participasse das quadrilhas. Vez ou outra, faz\u00edamos gincanas com concurso de melhor fantasia. J\u00e1 me vesti de Pedrinho, personagem do Castelo R\u00e1-Tim-Bum, e meu grupo at\u00e9 cantava:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Lava uma (m\u00e3o) <\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Lava outra (m\u00e3o)<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Lava uma, lava outra (m\u00e3o)\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fora os amigos secretos. A gente assumia pseud\u00f4nimos e deixava uma caixinha pr\u00f3xima ao elevador para poder trocar mensagens sem que a nossa identidade fosse revelada. Foram muitas risadas com as situa\u00e7\u00f5es porque t\u00ednhamos que pegar os bilhetes escondidos para que ningu\u00e9m desconfiasse quem era quem. Muitas vezes, via que tinha recado, mas fingia que n\u00e3o encontrava nada para despistar os outros colegas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A gente fazia de tudo. Se precisasse varrer, varr\u00edamos. Se tinha infiltra\u00e7\u00e3o, era um corre-corre com gente de todos os setores pegando pano e puxando a \u00e1gua do ch\u00e3o. Pelo bem do Museu, assum\u00edamos as mais diversas tarefas, como se estiv\u00e9ssemos cuidando de algu\u00e9m da fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando entrei na \u00e1rea de vigil\u00e2ncia, cada funcion\u00e1rio da equipe cuidava de um \u00fanico espa\u00e7o. A minha sala era a dos leques e acho que, at\u00e9 hoje, consigo visualizar cada pedacinho dela. Subindo a escadaria, era a primeira do lado oeste. No fundo, estavam as casacas e os vestidos e, na frente, uma vitrine redonda com pentes e leques \u2013 todos abertos, lindos. As roupas eram de gala e os itens de uso cotidiano eram feitos com materiais t\u00e3o finos que n\u00e3o saberia nem especificar.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acabei me apegando \u00e0queles objetos e gostava de me ver rodeada por eles. Tamb\u00e9m sentia uma responsabilidade enorme em saber que estava diante de pe\u00e7as \u00fanicas, que n\u00e3o poderiam ser danificadas jamais, e isso fazia com que quisesse cuidar ainda melhor delas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E \u00e9 claro que quase todo mundo perguntava se as indument\u00e1rias eram da fam\u00edlia real \u2013 se os trajes pertenciam ao D. Pedro I e \u00e0 Maria Leopoldina e se eles tinham mesmo morado naquele pr\u00e9dio. A gente respondia que n\u00e3o, lembrava a data de inaugura\u00e7\u00e3o do Museu \u2013 1895 \u2013 e explicava que, como o imperador brasileiro morreu sessenta anos antes, isso seria imposs\u00edvel.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foram dez anos nesse mesmo espa\u00e7o e n\u00e3o teve um dia sequer que fiquei entediada. Com o tempo, no entanto, come\u00e7amos a fazer um revezamento entre as salas porque alguns n\u00e3o achavam justo estar em locais considerados mais atraentes que os outros. Amava o lugar onde estava, mas concordei, e confesso que isso fez com que eu descobrisse novas preciosidades do acervo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando estava diante de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Carmo Floodplain<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, ficava reparando em cada detalhe da tela e toda vez descobria algum elemento a mais. Aquelas casas sendo invadidas pela \u00e1gua e os p\u00e1ssaros em meio \u00e0 fuma\u00e7a, voando para longe. Parecia que estavam at\u00e9 saindo do quadro, como se a pintura fosse viva.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nessa mudan\u00e7a, percebemos que uma funcion\u00e1ria tinha algumas regalias e continuou tendo um lugar cativo \u2013 ela ficava em uma sala com uma esp\u00e9cie de v\u00e3o atr\u00e1s da vitrine e por isso conseguia manter ali uma garrafa de caf\u00e9 e outra de \u00e1gua. Ent\u00e3o, enquanto todo mundo precisava se locomover para pegar um copo de bebida, ela ficava como a \u201cprofissional do m\u00eas\u201d sem perder um minuto sequer distante das atividades.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o gosto de nenhuma injusti\u00e7a e sempre<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> tive<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> coragem de questionar. N\u00e3o sou uma pessoa acomodada e, quando vejo que algo pode melhorar,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> por que n\u00e3o falar<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">? Se isso ir\u00e1 beneficiar o bom andamento do trabalho \u2013 tanto o meu, quanto o dos colegas \u2013,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> n\u00e3o vejo por que n\u00e3o lutar pelo bem de todos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acredito que tenho uma lideran\u00e7a inata, est\u00e1 no meu sangue, e as pessoas tamb\u00e9m veem isso em mim. Embora saiba que algumas percebem isso de forma negativa, acho que no geral essa caracter\u00edstica \u00e9 vista como positiva. Tanto que comecei a participar da Comiss\u00e3o de Seguran\u00e7a como representante dos funcion\u00e1rios de vigil\u00e2ncia e, pouco depois, a diretoria me convidou para liderar a equipe.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Primeiro relutei, pois sei que lidar com diferentes personalidades \u2013 cada um querendo algo do seu jeito \u2013 exige muita responsabilidade e jogo de cintura. Mas a dire\u00e7\u00e3o me convenceu, argumentando que eu era a pessoa em quem meus colegas depositavam confian\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E nisso fiquei, pequenininha, com 1,56m de altura, sempre defendendo aquilo que achava correto para o Museu e para o bem-estar de todos.<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-8935 size-full\" src=\"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Paixao-arquivo-pessoal-2.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Paixao-arquivo-pessoal-2.png 800w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Paixao-arquivo-pessoal-2-300x225.png 300w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Paixao-arquivo-pessoal-2-150x113.png 150w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Paixao-arquivo-pessoal-2-768x576.png 768w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Paixao-arquivo-pessoal-2-16x12.png 16w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-8934 size-full\" src=\"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Paixao-arquivo-pessoal-1.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Paixao-arquivo-pessoal-1.png 800w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Paixao-arquivo-pessoal-1-300x225.png 300w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Paixao-arquivo-pessoal-1-150x113.png 150w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Paixao-arquivo-pessoal-1-768x576.png 768w, https:\/\/museudoipiranga.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Paixao-arquivo-pessoal-1-16x12.png 16w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0s vezes era desafiador e tinha que enfrentar uns homenzarr\u00e3os de quase dois metros de altura, mas me mantive firme por 16 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que buscava era o equil\u00edbrio, e o meu maior contentamento era quando via tudo correndo bem, com as pessoas felizes nas suas fun\u00e7\u00f5es. Do cuidado unicamente com as salas, passei a monitorar a equipe, mas o objetivo era exatamente igual: garantir que nada fosse danificado no Museu. Tinha que estar de olho em tudo, pois, se algo acontecesse com algum objeto, isso tamb\u00e9m recairia sobre mim, pois significaria que n\u00e3o estava suficientemente atenta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando voc\u00ea passa a ser encarregada por um grupo, a din\u00e2mica muda e voc\u00ea come\u00e7a a cuidar inclusive da vida profissional dos funcion\u00e1rios, pois, para que um trabalho corra bem, eles precisam se sentir acolhidos. Eram 22 funcion\u00e1rios org\u00e2nicos e 12 terceirizados. Lembro que, quando o museu fechou por conta de problemas estruturais, n\u00f3s precisamos continuar fazendo o monitoramento do edif\u00edcio. Sabia que n\u00e3o havia nenhum risco e que a estrutura n\u00e3o iria ceder em nada a ponto de algu\u00e9m se machucar, mas fazia quest\u00e3o de me colocar na mesma posi\u00e7\u00e3o que a deles.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cVou estar aqui todos os dias com voc\u00eas e n\u00e3o vou deixar ningu\u00e9m sozinho\u201d, dizia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A vigil\u00e2ncia \u00e9 sempre a \u00faltima a apagar a luz.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 o acervo ser transferido, e as reformas come\u00e7arem, n\u00f3s t\u00ednhamos que zelar por tudo que estava l\u00e1. Ent\u00e3o, a gente continuava indo, e montamos um revezamento para fazer a ronda e verificar que tudo estava bem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 com a reabertura, acabei sendo alocada em outro endere\u00e7o, porque decidiram dividir a vigil\u00e2ncia entre o Museu do Ipiranga e os im\u00f3veis alugados para a equipe e para o acervo. Foi uma mudan\u00e7a dura e n\u00e3o \u00e9 segredo para ningu\u00e9m o quanto fiquei chateada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No dia que me informaram dessa decis\u00e3o, o baque foi imenso. N\u00e3o consegui nem mesmo controlar as minhas emo\u00e7\u00f5es e hoje vejo que tive uma rea\u00e7\u00e3o exasperada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fiquei bastante tempo cuidando da seguran\u00e7a das casas locadas, mas depois fui convidada para assumir outros afazeres de infraestrutura. Hoje fa\u00e7o a cataloga\u00e7\u00e3o dos documentos f\u00edsicos e digitais que est\u00e3o relacionados aos funcion\u00e1rios terceirizados, o que inclui desde os seguran\u00e7as at\u00e9 os bombeiros civis. Estou gostando do que fa\u00e7o e muito feliz nessa nova tarefa. No in\u00edcio, achei que ia sofrer, mas sigo aprendendo tanto e fui t\u00e3o bem recebida pela equipe que acredito que tomei a decis\u00e3o certa. Mesmo assim, continuo aberta, claro, para retomar a parte operacional caso seja necess\u00e1rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Continuo sem estar no Museu do Ipiranga. Por\u00e9m, sempre que posso, dou um pulo para ver meus amigos que ainda trabalham no pr\u00e9dio, e acho que n\u00e3o tem um dia que n\u00e3o tire fotos ali em frente. \u00c9 o meu trajeto para pegar o \u00f4nibus e fa\u00e7o selfies perto do Monumento \u00e0 Independ\u00eancia, da escadaria e da fonte. At\u00e9 hoje, fico maravilhada com o que vejo ali.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lembro como se fosse hoje quando entrei no edif\u00edcio pela primeira vez. Sabem aquela sensa\u00e7\u00e3o que a gente tem quando se apaixona e n\u00e3o sabe nem mesmo explicar por qu\u00ea? \u00c9 como o Fagner canta.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Meu amor que ser\u00e1 de mim?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Primeiro vem o arrebatamento e, depois, quando nos damos conta, o envolvimento \u00e9 tanto que n\u00e3o conseguimos nos desapegar: queremos cuidar e defender aquilo que temos como nosso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Meu v\u00ednculo com o Museu \u00e9 t\u00e3o profundo que \u00e9 como se tivesse nascido para trabalhar l\u00e1. \u00c9 onde criei ra\u00edzes e aprendi a ser quem sou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quarenta anos depois, a minha paix\u00e3o continua a mesma.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 ouviram aquela m\u00fasica do Fagner? Meu amor que ser\u00e1 de mim? Quixeramobim. \u00c9 de l\u00e1 que venho. 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