Museu do Ipiranga

Jaxuka Aline, Jerá Guarani e Para Poty Priscila na colheita de batata doce Acervo Terra Indígena Tenondé Porã

Representações indígenas em diálogo

A visita mediada Representações indígenas em diálogo propõe uma leitura crítica das representações de povos indígenas presentes nas exposições do Museu, articulando-as com pesquisas historiográficas e antropológicas, falas indígenas e produções contemporâneas de artistas originários. A atividade busca evidenciar os tensionamentos entre diferentes formas de narrar a história, destacando os limites e silenciamentos das narrativas tradicionais.

Ao longo do roteiro, são analisadas imagens produzidas majoritariamente por não-indígenas, especialmente no início do século 20, contextualizando seus processos de produção e seus vínculos com projetos políticos e culturais da época. A visita problematiza essas representações ao discutir conceitos como colonialismo aliciador e colonialismo autoritário, bem como ao evidenciar o papel dessas imagens na construção de uma memória histórica que, muitas vezes, romantiza relações coloniais e apaga conflitos, violências e resistências.

A atividade também destaca a ausência de vozes indígenas nas coleções do Museu Paulista, propondo reflexões sobre os processos institucionais que contribuíram para esse apagamento. Entre eles, está a transferência das coleções etnográficas para o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, em 1989, o que resultou na predominância de representações produzidas por não-indígenas no acervo atualmente exposto. A partir desse contexto, a visita discute os critérios de formação de acervos e as possibilidades contemporâneas de revisão dessas práticas.

Ao estabelecer diálogos com obras de artistas indígenas contemporâneos, como Moara Tupinambá e Xadalu Tupã Jekupé, a visita apresenta contrapontos às narrativas históricas consagradas, evidenciando continuidades entre passado e presente. Essas produções artísticas tensionam conceitos como “descobrimento” e “civilização”, propondo releituras críticas que destacam a violência da colonização e a permanência das disputas territoriais e simbólicas.

A reflexão se amplia ao abordar a presença indígena na cidade de São Paulo, tanto no passado quanto no presente, questionando a ideia de desaparecimento desses povos. A atividade evidencia a existência contemporânea de territórios indígenas e discute processos históricos de apagamento, como projetos de urbanização e construção identitária que invisibilizaram a diversidade étnica e cultural da região ao longo do tempo.

Ao longo do percurso, também são discutidos temas como o papel das mulheres indígenas nas alianças e resistências, a escravização indígena associada ao bandeirantismo, a construção de imagens heroicas no imaginário paulista e a diversidade de povos originários, contrapondo a ideia de homogeneidade frequentemente presente nas narrativas históricas.

Visitas mediadas
Datas e Horários:

  • Português: Sábados e domingo de abril | 14h
    Ponto de encontro (português): Saguão, ao lado da Escadaria.
    Retirada de senha às 13h50.
  • Libras: 12 e 26/4 (domingo) | 14h30
    Ponto de encontro: Acolhimento, ao lado da bilheteria.
    Retirada de senha às 14h20.

Duração: 1 hora
Vagas: 20 pessoas por visita
Atividade gratuita, mediante retirada de ingresso para acesso ao Museu.

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