O Museu do Ipiranga realiza, no dia 14 de novembro, às 15h, a quarta edição do Cinema no Museu. Intitulada Presenças negras no Cinema Brasileiro, a edição acontece durante o Mês da Consciência Negra e busca promover a discussão sobre a memória de profissionais negros, sua presença no cinema brasileiro e os processos de apagamento de suas trajetórias. Na ocasião, será exibido o longa-metragem Veneno (direção de Gianni Pons, 1952, duração: 76 min).
O filme foi produzido pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, conhecida como a Hollywood Brasileira, e restaurado pela Cinemateca Brasileira, detentora do acervo da extinta companhia. Entre seus atores, estão grandes nomes da dramaturgia brasileira como Paulo Autran, Lima Duarte e Renato Consorte, e Alice Rezende, prolífica artista negra cuja trajetória artística esteve, até bem pouco tempo, encoberta.
A participação de Alice no longa-metragem só passou a ser creditada, ou seja constar na ficha técnica de Veneno, após as solicitação da inclusão do nome da artista feita pelo curador e antropólogo Alexandre Araujo Bispo, a partir de materiais do Arquivo Nery Rezende (ANR), adquirido pelo Museu Paulista da Universidade de São Paulo em 2020. Nery Rezende, irmã de Alice, reuniu ao longo de sua vida uma série de documentos que registram tanto sua trajetória pessoal quanto profissional, além de aspectos das formas de viver e se relacionar na capital paulista como uma mulher negra das camadas populares. Juntas, elas integraram o Teatro Experimental do Negro de São Paulo, a Companhia de Teatro de Revistas Benjamin Oliveira e o grupo musical Mestre Durva e Suas Pastoras.
Hoje, a pós-doutoranda em História e Cultura Material, Liliane Pereira Braga (Ndembwemi), conduz essa pesquisa de documentos do Dossiê Alice Rezende e do Arquivo Nery Rezende. Neste vasto material, encontram-se o roteiro de Veneno com anotações manuscritas pela artista, informações referentes à rotina de gravação do filme no diário de Alice, a menção à atuação dela em correspondências de sua irmã e em fotografias – em uma delas, Alice se encontra sentada ao lado do diretor Gianni Pons nos estúdios da Vera Cruz.
Este episódio da história da cultura brasileira ilustra os processos de apagamento de artistas e trabalhadores da cultura negros, cuja presença e importância foram invisibilizadas até muito recentemente. Ao mesmo tempo, demonstra como o trabalho com o acervo do Museu do Ipiranga ajuda a iluminar peças-chave do nosso passado recente.
Veneno conta a história de Hugo (Anselmo Duarte), funcionário de uma indústria de vidros, que ama apaixonadamente sua esposa Gina (Leonora Amar). Ela, ao contrário, demonstra completa indiferença pelo marido e este vai ficando obcecado pela ideia de que sua esposa o odeia. Hugo passa a ter horríveis pesadelos, durante os quais se vê matando Gina, e passa a confundir sonho e realidade. Na trama, Alice interpreta a empregada-doméstica que trabalha na casa de Hugo e Gina – personagem que se torna uma peça-chave na história.
Após a exibição, haverá bate-papo com as convidadas Tatiana Carvalho Costa curadora, cineasta, professora universitária, e presidenta da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (APAN), é também integrante do Conselho Superior de Cinema (Ministério da Cultura); Naruna Costa proeminente atriz, diretora, cantora e co-fundadora do Grupo Clariô de Teatro, em Taboão da Serra (SP). A artista foi a primeira mulher negra a vencer o Prêmio APCA de Melhor Direção (2018), pelo espetáculo Buraquinhos. Seu prêmio mais recente é o Kikito de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em “Pele de Rinoceronte” (dir. Marcelo Maia, 2026).
A mediação será de Liliane Braga, autora do livro “Cinemas afro-diaspóricos em face de regimes racializados de representação” (Educ, 2026).
Sobre o Cinema no Museu
Inaugurado em 2025, o Cinema no Museu é uma iniciativa semestral do Museu do Ipiranga que busca aproximar o público das discussões sobre história, cultura e memória por meio do cinema, fortalecendo o museu como espaço de diálogo com os temas do presente.
Participe!
Evento presencial
Data: 14 de novembro
Horário: 15h
Local: Auditório do Museu do Ipiranga
Recursos de acessibilidade: Libras e audiodescrição, mediante disponibilidade
Classificação indicativa: Livre
Entrada gratuita: distribuição de senhas em frente ao auditório a partir das 14h

